Textos poéticos/contos/crônicas todas terças, quintas e sábados... ou quando a inspiração mandar...

sábado, 22 de julho de 2017

Assalto Coronário

Dizem por aí que a ocasião faz o ladrão
e eu doido pra encontrar uma pra surrupiar teu coração e todo o resto de você pra mim
Mas tem horas que te acho tão tão século XXI e eu ainda lá no XIX sem nenhum desejo de sair
Algumas evoluções me deixam num regresso que só vejo atraso, eu quero é avançar pro teu colo só

Cansado de sermos Israel e Palestina, Irlanda do Norte e Grã-Bretanha, País Basco e Espanha
E cansado deles insistirem em se matar pelo motivo imbecil que seja
Derrubemos logo esse muro de Berlim estúpido cujo propósito é tão tolo de nos separar
Quero que abramos logo o champanhe da vitória, vem aqui comemorar de minha taça toda sua

Eu nos meus aparentemente eternos desencontros porque nunca encontro com vossa mercê
Doido pra um dia colidir com perda total de mim a teu favor e você me reciclar pra ti mesma
Mais louco que dizer que I am the Walrus ou declarar a Revolution 9 eu aumentaria seis dezenas
Centenas, milhares, milhões, zilhões, n-lhões de séculos milenares eras congelados num só fóssil
Meu teu corpo teu meu ser dum jeito que ninguém sabe dizer onde começa ou termina um de nós

Come together right now over me!

Não sei se você é uma Pattie Boyd, mas eu cantaria uma canção feito "Layla" só procê...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Antimonotonia

Quando meu tédio sou eu, minha antimonotonia é você me jogando pra todo lado que quiseres
Só vê se me joga de uma vez por todas nos teus braços e aprisionado ao teu corpo e só
Nem vem esperar que eu reclame de tuas estrias, celulite ou varizes e verrugas marotas
No mapa geográfico de tuas ruas, curvas, cada relevo teu é uma aventura constante pra mim

Se disser que pode e depois morder minhas costas, vê se faz de um jeitinho que me deixe pirado
Back for me baby, não larga meus lábios longe da aspereza curvilínea dos teus
Deteriorado estou por diárias decepções as quais me deixam sem nem carne nos ossos mais
Nós poetas não queremos nenhuma chance, "não quero mais revanche" desse mundo sem eu-lírico

Eu desconfio que esse mundo não só me odeia como quer consumir meus sonhos
Os que dinheiro nenhum compra, feito você meu bem doce e meu hard rock, power ballad toda sua
Tem gente ainda que acredita em crianças crescidas que prometem o céu e nem o da boca darão
A não ser pra cuspir no teu tal qual cuspistes outrora em mim pois "não faço seu estilo" vagabundo

Sou cafona... tão cafona!

E ao mesmo tempo pareço um carnívoro canibal clamando por sua carne em meus lábios
Para eu devorar cada centímetro de você e ouvir teus gemidos em piração total em minha deglutição

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ser doce You

Haverá um dia em que todas as histórias serão apagadas da existência e memória humanas
Tornar-se-ão em um nada tal qual férmions ou bósons colidindo com suas antipartículas
Mas uma coisa imploro ao Senhor de tudo que mantenha grafitado pra sempre no céu dos céus
Que eu sou tão teu que mesmo que a mim me lançasses fora permaneceria te sendo teu e só teu

Você é a donatária de minha capitania, cada lote meu é todo seu
Para montares teu jardim de delícias eternas sem nenhum fruto ser proibido a nenhum de nós dois
Eu não escolhi esperar, preferi escolher ser teu voluntariamente
Pois não quero as temporais satisfações desse mundo vão, quero tua satisfação virando minha

Não anseio mais por pornografias, nudes de vadias e infames perdidas de todos e de ninguém
O único ensaio que anseio desesperadamente assistir com minhas vistas em delírio ardente
É ao vivo e a cores ver-te ante mim com tua perfeição indistinta de supostos defeitos corpóreos
Noturna e diariamente e em particular somente para todo sempre em nossa perfumada alcova

O mundo pode realmente em um apocalipse cataclísmico totalmente vir a se acabar
Mas eis que obrigá-lo-ei a esperar e muito e sentadinho para que venha eu terminar
de sorver até a última gota de teu infinito manjar, o néctar do deleite que sai de todos poros teus
e de cada poro meu fluir a ti o meu doce e carinhoso desejo de a ti eternamente seduzir

domingo, 9 de julho de 2017

RockstarT My Heart Baby

Em meu camarim tem um cafofo quentinho e perfumado
Cheio de frutas e doces para a primeira que o invadir
Vem ser minha groupie pessoal e insubstituível
Pra eu autografar com tinta permanente, tatuada, meu nome e meu ser nesse decotado coração

Não me sejas um devil in disguise, me sejas um anjo desnudo desejoso por abrigar-se em minh'asas
Ocupar o posto irrevogável de musa de meu cântico dos cânticos
Sejam esses cânticos ultrarromânticos aos mais próximos de nosso suor trocado um no outro
Em cada infinito resvalar de nossas peles, lábios e o que mais arrancar-te sorrisos de deleite

Kickstart, Rockstart meu coração de rockstar, baby
Porque eu tô ready to strike e se tu vacilares eu vou rock you like a hurricane
Pra mim e você pode dizer não ao não, é proibido proibir tudo e o que mais atrás dos portões
Abafar gritos primais abismais do silêncio não mais, gimme gimme gemidos a mais

Não precisar se preocupar com um júri simpático e incompetente
Só Deus está solto em meio esse camarim feito pra minha groupie particular
O próximo xará que gritar "The Dream is Over" devia nos ver dormindo pro dia nascer feliz
Porque a noite é um nada minúsculo microscópico pra conter nosso deleite delirante, baby

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Free-Nesi

Senhora feudal que me tem como feudo seu, vassalo de ti, suserana
Meus pensamentos em grilhões afixados em teu ser
Tonight and forever não me deixa te deixar
Domina-me, teu Sacher-Masoch sou

Rainha, me disciplina como bem entendes
Satisfaça teu vampirismo, tua odaxelagnia
Até que o esteô seja um limite que cruzastes ilimitadamente
Do alto de seu cano alto eu aceitaria facilmente ver apenas a sola dele

Aqui em meu pescoço tatuaste teu nome e a palavra DONA, e me chamas do que quiseres
O frenesi é livre quando você domina meu cérebro, coração e corpo 24/7
Não é podolatria, mas quero estar a teus pés quando bem entenderes
Pois o meu único fetiche é te fazer feliz pra sempre, domme mia

terça-feira, 4 de julho de 2017

Trinca dos Amantes

Dia desses vi um disco de uma cantora chamada Martha Vieira
Se chamava "Mil Anos de Amor"
Eu bem que gostaria dum amor desses, e um que durasse inda mais
Eu quero viver e ser esse tal amor de milênios sem fim por você

Me convidaram pra marcar uma saudade minha
Uma sugestão para marcar alguém que eu levaria até o último dia de meu viver comigo
Eu não sei porque, mas eu quero mais do que marcar sua pessoa num post
Eu quero me marcar como tatuagem em seu coração pra não arrancar nem depois da morte

Cada metro cúbico de teu corpo, cada sinapse de teus pensamentos, emoções e vontades
Eu quero ser o núcleo de tudo que se chama você e você meu tudo seja
E Deus nosso tudo eterno nos faça uma trindade de amor indestrutível
Tal qual cordão de três dobras que nem aquelas Facas Ginsu da propaganda consegue partir

sábado, 1 de julho de 2017

Another One Bites the Dust


Karen Lancaume se matou

na casa de seu ex-namorado

em 28 de janeiro de 2005 poucos dias depois de fazer 27

Uma das musas de Lyon, França, se foi

Mais uma bate as botas

"É só mais uma atriz pornô doente viciada que leva nossos jovens à perdição, quem se importa?"

Eu gostaria muito que quem tivesse morrido com a boca estourada fosse aquele língua presa que um monte de falso moralista que se nomeia filho de Deus (que deus é esse?) venera como seu salvador da pátria que pariu.

Mas sou voto vencido nesses lances de death note. Devo ser. Os "bons" morrem cedo, mas sempre têm quem pinta as caveiras deles de cor do inferno, seja lá que cor essa miséria tem, não tô a fim de conferir, você tá?

Um dia você também seria mais um que bate as botas.

"Sopre, vento! Venha,  destruição!" diria Macbeth sobre isso. "Fale mansamente e ande com um porrete" seria uma sugestão de Ted Roosevelt para o mundo inteiro. Já I say you saying that you say that you saw...

E mais um já foi, mais um já foi
Mais um bate as botas
Hey, eu vou pegar você também
Mais um bate as botas

A morte é algo que é a única certeza da vida e a única coisa que queremos esquecer que existe, mas ao mesmo tempo a veneramos. Não com death metal nem death'n'roll ou death rock, ou os góticos que passeiam em cemitérios da saudade, mas nos noticiários nos quais todos aparecem com suas vísceras expostas pior que filmes de terror. Mais um bate as botas cataplam!

"O mal leva o bem embora".

Pode espalhar pelo Whatsapp o vídeo de mais um que bate as botas. E Karens Lancaumes continuam a se matar. Exposta pro mundo, fazendo o que não fariam no escurinho nem do cinema nem do quarto com nenhum amor de sua vida. Sentem-se tão, sentem-se só. Sentam-se em nós para sorrir e lembram dos políticos. Lembram-se do falso moralismo de direita. Lembram-se do politicamente correto de esquerda. Esquecem do ser humano. Esquecem de ser humanos. Esqueçam.

É só mais um batendo as botas. Mais um batendo as botas. AIDSculpa esfarrapada.

Minha mãe disse ontem que quem vive no passado não vive o presente e não faz o futuro. Mas pra quem cansou do presente e não vê futuro, nada melhor que pedir pro passado levar a gente pra sua cela. Eu não sei é de nada. Só sei que seremos logo outro a bater as botas. Sozinhos, depressivos, solitários, reprimidos, e e e e e e e e e e e e e e e nada mais.

Outro a você sabe bem o que. Você vai também. Torço pra não como eu acho que vou. Macabéa, pede pro teu estrangeiro me esperar pra me levar com ele pro asfalto!

RIP Karen...